Sexta, 12 de Agosto de 2022
Negócios no Transporte Desafios

Estudo com grandes empresas aponta desafios e oportunidades para o transporte de carga elétrico

Pesquisa inédita destaca como principais necessidades a criação de estímulos fiscais e infraestrutura de recarga para o avanço do transporte elétrico de carga

03/06/2022 às 08h31
Por: Redação Fonte: CEBDS
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Foto: Reprodução Internet
Foto: Reprodução Internet

Pesquisa inédita realizada pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), encomendada pelo iCS (Instituto Clima e Sociedade), apresenta um mapeamento dos principais desafios e oportunidades para o Brasil em relação à eletrificação do transporte de carga. O levantamento do setor empresarial brasileiro avaliou o cenário atual em diversas situações: da logística de entregas de mercadorias ao consumidor final até o deslocamento de longas distâncias para equipamentos e suprimentos.

 

Os desafios e oportunidades citados por 16 grandes companhias com atuação no Brasil apontam como uma das questões centrais a falta de marcos regulatórios e fomento ao uso de veículos elétricos. Nesse sentido, consideram que avanços de legislação e normas podem gerar um ambiente favorável, com segurança jurídica para investimentos privados na utilização de veículos elétricos.

 

 

Ainda assim, o estudo mostra que há um movimento positivo do setor para o investimento na eletrificação da frota, mesmo considerando insuficiente a política de incentivos. Parte das empresas ouvidas assumiram compromisso de zerar suas emissões de CO2 até 2030, objetivam atingir o ápice de 100% da energia comprada de fontes renováveis e já são usuárias de veículos elétricos.

 

A lista de companhias que participaram do levantamento inclui gigantes de setores como varejo (Grupo Carrefour), mineração (Anglo American e CBA), energia (Neoenergia e Schneider Electric), tecnologia (Grupo Sabará e Amazon), infraestrutura (Ecorodovias), serviços (Sesc), telecomunicações (Telefônica), bebidas (Ambev), beleza (Natura), saúde (Intermédica), petroquímica (Braskem), florestas (Suzano) e papel e embalagens (WestRock).

 

A lista de temas identificados inclui também melhor infraestrutura de carregamento e um conjunto de sistemas e tecnologias que facilitem a gestão de dados; e o estabelecimento e fomento a redes de colaboração entre todos os setores envolvidos, desde a geração de energia até as fabricantes de veículos.

 

As empresas identificam uma vantagem comparativa dos preços de operação dos carros elétricos, já que os custos de combustíveis como o diesel podem sofrer alta variação. As gigantes da economia brasileira citam também o desenvolvimento de novas tecnologias para descarbonização da logística, o aumento dos compromissos do mercado com as agendas globais e intersetoriais, em um contexto de valorização da agenda ESG, e a geração de dados e conhecimentos a partir de projetos concretos existentes como importantes avanços que podem ser alcançados com a eletrificação da frota.

 

A indústria de transportes é responsável por 14% de todo o CO2 emitido globalmente, segundo o IPCC (Painel Intergovernamental para a Mudança de Clima da ONU). No Brasil, o setor energético foi responsável por cerca de 18% das emissões totais de CO2 em 2020, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Desse montante, o setor de transportes foi responsável por cerca de 47%, com tendência de aumento.

 

Este estudo traz ainda mais luz para a necessidade de estímulo à transição energética no país. O tema é citado, inclusive, como uma das 12 ações fundamentais para o próximo governo, elencadas pelo CEBDS em recente carta aberta aos candidatos à Presidência da República: “desenvolver, no primeiro ano de governo, e colocar em prática um plano estratégico de transição energética, com medidas de curto, médio e longo prazo, centrado na expansão de energias renováveis, na eficiência energética, no incentivo e fomento à mobilidade híbrida - combinando a eletrificação dos veículos com a utilização dos biocombustíveis -, na digitalização do setor elétrico e no empoderamento dos consumidores”.

 

O estudo inédito também ressalta como as grandes empresas têm trabalhado a descarbonização de frotas como ferramenta relevante na agenda de neutralidade climática. Faz parte do esforço para reduzir os níveis de emissões de gases de efeito estufa do país, somando-se a outras iniciativas, como diminuição do desmatamento, avanço da agenda de melhorias em processos industriais e de técnicas de baixo carbono no setor agropecuário.

 

 
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