Quarta, 17 de Agosto de 2022
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Logística: especialista aponta os desafios dos profissionais da área

Confira no artigo abaixo todos os principais desafios enfrentados

09/06/2022 às 10h39
Por: Redação Fonte: Sandra Lilian de Oliveira Façanha
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Atualmente no Brasil não há regulamentação para a atuação do profissional em logística, mas há mais de 20 anos, a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), parte integrante do atual Ministério do Trabalho e Previdência (MTP) mostra a importância desse profissional. A seguir, a coordenadora da graduação em Administração e da pós-graduação em Gestão Logística das Redes de Suprimento da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) aponta os principais desafios da área.

 

CENÁRIO ATUAL DO MERCADO

 

Cada vez mais está sendo exigido especialistas que entendam do negócio como um todo. Sendo assim, os melhores profissionais são aqueles que possuem uma visão do tipo “360 graus”, capacidade crítica e analítica, conhecimento razoável sobre tecnologia da informação e comunicação (sistemas cada vez mais automatizados e integrados, inteligência artificial, blockchain, realidade aumentada, realidade virtual, etc.)

 

“Além disso, pensando de forma específica no desenvolvimento de cada profissional em uma organização, algumas características que o ou a distinguem das ‘máquinas’, são muito apreciadas, tais como: iniciativa, criatividade, habilidades interpessoais, teamwork ou trabalho em equipe, adaptabilidade e resiliência”, acrescenta a especialista.

 

 

FORMAÇÃO DE QUALIDADE É ESSENCIAL

 

Na opinião de Sandra, uma das maiores deficiências do setor tem a ver com uma formação aquém daquilo que seria o ideal, pensando no início de carreira para um profissional que atua em logística. E, em boa medida, a profusão de cursos de graduação existentes, tanto bacharelados, caso do curso de Administração, uma fonte relevante para os profissionais da área; como os cursos superiores tecnológicos (CST) em Logística, colaboram para um nível de qualidade abaixo do que seria desejado. Segundo dados do INEP de 2019, considerando-se somente os CST em Logística no Brasil, há mais de 600 cursos presenciais e outras dezenas, talvez centenas, de cursos EaD que, juntos, oferecem cerca de 350 mil vagas.

 

“Um ponto específico da formação em cursos CST, que não ocorre nos cursos de bacharelado em Administração, por exemplo, é o fato de você entender como a logística se encaixa, influência e pode ser influenciada pelas demais área de uma organização, seja ela com ou sem fins lucrativos, privada ou governamental. Uma forma de solucionar tal problema, naturalmente, parte pela escolha de um curso que possa oferecer não apenas essa visão holística, mas muita qualidade ao longo dos anos de ensino. Vale destacar que o mercado sempre busca especialistas, mas somente os especialistas que entendem como o negócio funciona como um todo, não partes do negócio”, acrescenta.

 

Ainda na opinião de Sandra, as escolas são responsáveis por uma base inicial robusta. Já as empresas e/ou consultorias são responsáveis pelo aprimoramento dessa base inicial robusta na medida em que o profissional de logística pode amoldar a base obtida na escola à realidade do mundo dos negócios.

 

“Além das instituições mencionadas, há um outro ponto relevante, que é o próprio profissional, responsável pelo desenvolvimento profissional, incluindo aí o famoso “lifelong learning” ou aprendizado por toda a vida. Como tudo evolui, se você obteve sua formação há cinco ou mais anos, talvez já esteja na hora de voltar para a escola fazer uma pós-graduação, se inteirar a respeito de novas ferramentas, conhecer novas pessoas, etc”, diz.

 

OPORTUNIDADES NO MERCADO DE TRABALHO

 

Além dos segmentos usuais relacionados a transporte, armazenagem e afins, tanto para o mercado interno quanto para exportações ou importações, hoje temos novos campos de atuação como é o caso do e-commerce e/ou startups. Em cada um desses segmentos existem funções diversas em diferentes níveis que demandam, usualmente, um conhecimento específico.

 

Pensando nos profissionais, usualmente temos em nível operacional (atividades básicas do dia a dia, foco no curto prazo), egressos dos cursos técnicos em logística e/ou CST em logística, produção ou comércio exterior. Em nível tático (atividades de supervisão de primeira linha, foco no médio prazo), temos os mesmos CSTs anteriormente mencionados, bem como alguns cursos de bacharelado como é o caso de administração e engenharia da produção. Por fim, em nível estratégico (atividades relacionadas ao planejamento de longo prazo da área e da empresa), usualmente encontramos egressos dos cursos de bacharelado e, eventualmente, cursos de pós-graduação e/ou mestrado profissional.

 

“A pessoa interessada deve se capacitar de forma pertinente conforme o objetivo profissional dele ou dela, em estrito alinhamento com o nível desejado de atuação no mercado e, dependendo do segmento, existem ainda diversos cursos de curta duração que também podem ser exigidos, como é o caso do conhecimento de uma linguagem de programação para atuar em startups”, finaliza.

 

A especialista: Sandra Lilian de Oliveira Façanha, Coordenadora do Curso de Administração do Centro Universitário FECAP. É Doutora e Mestre em Administração pela FEA/USP (Universidade de São Paulo), Mestre em Logística e Distribuição pela Cranfield University (Inglaterra, UK), MBA Executivo pela COPPEAD (UFRJ) e Bacharelado em Administração (Ênfase em Comércio Exterior) pela Universidade Veiga de Almeida (RJ). Atuou por mais de 20 anos em diversas posições gerenciais nas áreas de operações, logística e cadeia de suprimentos em empresas de médio e grande porte no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Los Angeles (EUA). Desde abril de 2005 dedica-se a academia e exerce a função de professora de graduação e pós-graduação na FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) e FIA (Labfin-Provar), além de exercer o cargo de Coordenadora do Curso de Graduação em Administração na FECAP desde janeiro de 2019 e Coordenadora de cursos de pós-graduação desde 2020. Além disso, atuou como Gerente de Operações entre 2016 e 2017 na FECAP e realiza pesquisas e consultoria pela empresa PremiumStrat desde 2008. Principais interesses como pesquisadora incluem tópicos como processo decisório estratégico, terceirização, alianças estratégicas, cadeia de suprimentos e gestão de risco.

 

 
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