Terça, 16 de Agosto de 2022
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O que a disrupção na cadeia logística pode provocar

Xangai vive seu pior momento desde o início da pandemia, e isso mexe com a economia do mundo todo

19/07/2022 às 15h04
Por: Redação Fonte: Pathfind
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Foto: Divulgação
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A disrupção, ou seja, a interrupção de um curso normal de um processo pode causar uma avalanche de acontecimentos ruins e mexer com toda uma cadeia produtiva. Não é surpresa para ninguém que a dependência de mercados e portos chineses acabou mexendo com diferentes setores da indústria do mundo todo, e no Brasil não foi diferente, principalmente durante o período de pandemia. A falta de matéria-prima, peças e até de produtos finais, ocasionou inúmeros problemas para a indústria nacional, principalmente devido ao fechamento do porto de Xangai na China, o maior do mundo.

 

Novamente apresentando números altos da Covid-19, diversas cidades chinesas entraram novamente em confinamento parcial ou total, a cidade de Xangai vive seu pior momento desde o início da pandemia, e isso mexe com a economia do mundo todo. A metrópole chinesa não é apenas um centro financeiro global, mas também um dos portos de carga mais importantes para o comércio internacional. Nos últimos dez anos, tem sido o maior porto do mundo em termos de movimentação de cargas. Em 2021, o porto de Xangai foi responsável por 17% do tráfego de contêineres e 27% das exportações chinesas.

 

 

 

A economia mundial assiste quase impotente o maior porto do mundo trabalhar de forma parcial, o que acaba ocasionando um congestionamento, que reflete em cadeias de suprimentos tensas, fluxo lento de importações e aumento da inflação no mundo todo. Existem restrições de confinamento, o que acaba ocasionando um congestionamento nas estradas de acesso ao porto, existe um acúmulo de contêineres e uma redução de 30% na produtividade", explica Antonio Wrobleski, engenheiro e especialista em logística.

 

O resultado desse novo fantasma da pandemia pode ser sentido em todo o mundo, o aumento da inflação. Muitas empresas como a Volkswagen e a Tesla tiveram que interromper suas atividades por falta de peças. E uma cadeia de produção, acaba afetando em diferentes setores.

 

“É uma reação em cadeia, falta peça para a fabricação de um carro, a montadora para sua produção, manda o funcionário pra casa, acaba subindo o preço dos veículos e a roda econômica trava, pois também falta dinheiro para o consumo, é ruim para todos”, alerta Wrobleski.

 

As informações que chegam da China não são animadoras, mesmo com o porto funcionando de forma parcial, além do problema de caminhões que não conseguem chegar ao porto, existe também o problema de navios congestionados no local.

 

Diferentes empresas de transportes marítimos já estão evitando o porto de Xangai. Ainda na semana passada, a maior empresa de transporte marítimo do mundo, Maersk, também emitiu um comunicado informando que "vários navios vão pular o porto de Xangai em suas rotas" devido à falta de espaço disponível para contêineres.

 

“Infelizmente não é um problema simples de resolver, mesmo que o confinamento na China acabe nos próximos dias, levará ainda mais tempo para normalizar essa situação. A inflação vai continuar por um tempo. Os preços de muitos bens levarão algum tempo para se estabilizar, e aqui na América Latina a tendência é ser ainda pior, pois os preços de transporte para cá já estão muito mais altos, e isso acaba refletindo no bolso do consumidor final”, finaliza Wrobleski.

 

Sobre Antonio Wrobleski

 

Engenheiro, com MBA na NYU (New York University), é Presidente do Conselho de Administração da Pathfind, faz parte do Conselho da BBM Logística e sócio da Awro Logística e Participações. Ele foi presidente da Ryder no Brasil de 1996 até 2008, em 2009 montou a AWRO Logistica e Participações, com foco em M&A e consolidação de plataformas no Brasil. Foi Country Manager na DHL e Diretor Executivo na Hertz. O trabalho de Antonio Wrobleski tem exposição muito grande no mercado Internacional, com trabalhos em mais de 15 países tanto no trade de importação como de exportação. Além disso, ele é faixa preta em Jiu-jítsu, há 13 anos, e pratica o esporte há 30 anos.

 

 

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