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Geral Transporte Público

Sistemas de metrô, trens urbanos e VLT perdem 77% dos passageiros

Perda de receita chega a R$ 1,6 bilhão, e setor pode parar.

08/05/2020 08h00
Por: Redação Fonte: Agência CNT
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

"Uma queda de 77% da demanda diária. Desde que começaram as restrições de circulação, a perda de receita foi de R$ 1,6 bilhão; e, hoje, o setor vive uma situação bastante delicada. Estamos buscando uma alternativa para que não haja descontinuidade do serviço". As palavras são do presidente do conselho da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), Joubert Flores, e mostram que operadores brasileiros de sistemas de metrô, trens urbanos e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) vivem um momento de agonia em razão da crise causada pela pandemia da covid-19.

A diminuição sem precedentes na demanda e a necessidade de se manter a prestação dos serviços ameaçam a capacidade de algumas empresas cumprirem suas obrigações com empregados e fornecedores. “Já são sete semanas desde o início das restrições. Algumas operadoras têm mais ou menos um mês de recursos para suas despesas com pessoal e manutenção. O custo do serviço é alto. Mesmo que você reduza a grade de operação, não diminuirá os valores gastos com energia, salário e fornecedores", explica.  

Outra consequência da pandemia é a elevação das despesas para cumprir as normas sanitárias que combatem a propagação do novo coronavírus. "Diminuímos o efetivo e estamos capacitando os trabalhadores para a situação atual. As higienizações, que eram feitas em apenas um período, hoje são feitas várias vezes por dia e, muitas vezes, a cada parada no terminal. Também estamos disponibilizando máscaras e álcool em gel dentro dos carros", cita Flores.

Para encarar o momento, a ANPTrilhos defende a necessidade de uma série de medidas, como a abertura de uma linha de crédito para que as empresas disponham de capital de giro; aprovação dos projetos de investimento para fins de financiamento por meio de debêntures incentivadas; redução dos encargos setoriais devido ao status de calamidade; isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre energia elétrica para o setor; além do diferimento no pagamento de tributos federais. 

Conforme Joubert Flores, desde o final de março, quando iniciaram as medidas de restrição de circulação, a ANPTrilhos vem dialogando com o governo federal para encontrar alternativas e construir soluções. Mas ele lembra que a saída passa por uma articulação entre o governo federal e os governos locais. "A conversa evoluiu, e buscamos agora um encontro com o Ministério de Minas e Energia, pois o nosso principal insumo é a energia. Apesar da diminuição do consumo, os encargos sobre ela continuam os mesmos. Além disso, é necessário um alinhamento entre a União, os estados e os municípios. O governo federal deve repassar o socorro para os estados que, por sua vez, poderão apoiar as operadoras".

A projeção para os próximos meses não é otimista. Segundo o presidente da entidade, dificilmente o setor alcançará os resultados do passado. "Países europeus que tiveram uma atuação melhor durante a pandemia, como Alemanha e Áustria, já estão retomando as operações, mas a demanda pelos serviços de transporte segue baixa. Não acredito que voltaremos ao status quo de antes. Hoje, muitas pessoas estão trabalhando em casa; empresas irão manter um nível de trabalho remoto, com um custo menor. Temos ainda a questão do desemprego. Se imaginarmos que 70% das pessoas que utilizam o setor fazem isso para trabalhar, devemos ter uma queda de demanda ou uma curva de crescimento mais lenta. Além disso, as pessoas que puderem evitar aglomeração irão se manter isoladas", analisa. 

 

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