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Geral Mobilidade urbana

Setor de ônibus coletivo urbano atravessa momento crítico

Mais de 100 mil trabalhadores já tiveram suspensão do contrato de trabalho

12/05/2020 21h00 Atualizada há 5 meses
Por: Redação Fonte: CNT
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Em São Paulo (SP), como efeito da pandemia de covid-19, houve retração de 71% na demanda e 53% na oferta do transporte rodoviário urbano de passageiros. No Rio de Janeiro (RJ), o tombo foi de 67,0% e 58%, respectivamente. Em Belo Horizonte (MG), a demanda reduziu 66%, enquanto a oferta caiu pela metade. Esses são alguns dos números compilados pela NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos). 

O levantamento explicita o tamanho da crise enfrentada atualmente pelo setor, com enormes prejuízos, empresas à beira da falência, demissões de funcionários e redução da jornada de trabalho e de salários. Os dados se referem a 31 cidades e começaram a ser colhidos em 16 de março, momento que as medidas de isolamento começaram a ser implementadas. Vale lembrar que o país tem 2.901 municípios.

A situação das empresas é crítica. Hoje, operamos apenas com 20% de passageiros em dias normais, e ofertando uma média entre 50% e 60%, o que gera um déficit operacional muito grave”, alerta o presidente da NTU, Otávio Cunha. Estima-se uma redução de receita na ordem de 80%. “Para rodar com 75% da frota, sem demissões e redução de salários, seria necessário um aporte de R$ 2,5 bilhões por mês. Como não houve ajuda alguma ao longo de 60 dias de atividade reduzida, a situação de desequilíbrio chega, hoje, a R$ 5 bilhões”, calcula o presidente. 

Em Natal (RN), 1.040 trabalhadores já perderam seus postos. Em Florianópolis (SC), 4.000 contratos de trabalho foram suspensos por 60 dias. Em Maceió (AL), pelo menos 40% dos funcionários estão afastados ou recebendo férias de forma antecipada. Em Passo Fundo (RS), uma empresa anunciou a suspensão das atividades. Enquanto isso, em Cascavel (PR), duas empresas estão pré-falimentares. Em João Pessoa (PB), outras cinco podem fechar as portas em definitivo. 

Segundo Cunha, a ajuda ofertada pelo poder público tem sido insuficiente. “Não estamos encontrando suporte por parte do governo federal, pelo fato de o transporte público ser de responsabilidade dos municípios. Procuramos o governo desde o primeiro momento e dissemos que o setor pode entrar em colapso. Agora, estamos trabalhando em nível municipal, cada empresa em sua cidade, com sindicatos e associações buscando diálogo. Algumas cidades, como Curitiba (PR), Goiânia (GO) e São Paulo (SP), já sinalizaram apoio para o mínimo de oferta ser mantido”, resume. 

Cunha explica, ainda, que o auxílio prometido pelo governo federal, de R$ 50 bilhões para municípios e estados, não se efetivou. “Tentamos movimentar esse dinheiro para ajudar as empresas por meio de uma emenda, mas ela foi aprovada. Além disso, os municípios estão dizendo que o dinheiro não dá sequer para cobrir a folha de pagamento.” 

 

Operação mais cara

Para amenizar as perdas, foi proposto o Programa Emergencial Transporte Social, que consiste na aquisição pelo poder público de tarifas a serem destinadas aos beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família. A aquisição seria feita no valor do prejuízo mensal, enquanto durasse a crise. Na proposta, incluída na Medida Provisória n.º 936, fica estipulado que a tarifa teria o valor da tarifa pública vigente no transporte coletivo por ônibus de cada localidade. “O setor está na expectativa de que a MP seja aprovada. O Congresso é uma casa que repercute o sentimento da população e esperamos que os cidadãos sejam atendidos. Pois, com uma oferta menor, o risco fica maior para a população. Hoje, estamos trabalhando com essa alternativa”, explica Cunha

Cabe acrescentar que as exigências sanitárias aumentaram os custos operacionais. Entre as medidas adotadas, estão: flexibilização da oferta; intensificação da higienização dos ônibus, terminais e pontos de parada; limite de passageiros a bordo; uso obrigatório de máscara no transporte público; disponibilização de álcool gel; circulação com janelas abertas; e divulgação de informações. 

“As empresas estão seguindo todos os protocolos nacionais e internacionais. No transporte público, existe um problema do espaçamento seguro e, para isso, estamos recomendando aos profissionais que usem máscaras. Não tivemos ainda nenhum caso de profissional que tenha sido contaminado. Ônibus estão sendo higienizados várias vezes por dia e isso trouxe um aumento de custo, sem dúvida”, detalha o presidente da NTU.

Sobre o futuro do setor pós-pandemia, o presidente da NTU frisa que a recuperação será difícil. “Quanto mais tempo durar a pandemia, mais prejuízo as empresas terão. Para aquele que conseguem empréstimos, mais dívidas serão feitas”, pondera. E prevê: “Dois anos será pouco para voltarmos à plenitude. A taxa de ocupação terá de ser melhor definida. Hoje, trabalhamos com uma taxa de seis passageiros por metro quadrado em horário de pico. Essa taxa será revista. Para isso, vamos precisar de mais ônibus”.

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