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Gurgel: visionário, empreendedor, patriota

O engenheiro paulista João Augusto Conrado do Amaral Gurgel tinha um sonho: construir veículos 100% nacionais. E não seria uma tarefa fácil, já que tal iniciativa nunca havia sido feita em nosso país.

24/05/2020 10h00 Atualizada há 5 meses
Por: João Carlos Amador
Gurgel: visionário, empreendedor, patriota

Sua trajetória se iniciou com uma empresa que produzia karts e minicarros para crianças no início dos anos 60. O negócio evoluiu para uma montadora de automóveis chamada Gurgel, inaugurada no dia 1º de setembro de 1969. O primeiro modelo fabricado foi um carro chamado Ipanema, bugre que utilizava um motor Volkswagen. Em 1972, veio o Xavante XT, com chassi Plasteel (uma fibra muito resistente, patenteada pela Gurgel, que era uma união de plástico e aço) e suspensão desenvolvida pelo próprio João Gurgel. O Xavante X-12, lançado logo depois, já foi um sucesso de público e chegou a ser adotado pelo Exército Brasileiro.

 

Em 1974, a Gurgel apresentou o primeiro automóvel elétrico desenvolvido na América Latina: o Itaipu, um minicarro para dois passageiros. Mas sua produção em série só aconteceu na década seguinte, com o lançamento do E400, uma evolução do Itaipu que não deu certo comercialmente devido ao alto custo das baterias e de sua autonomia pequena.

Então, em 1988, Gurgel finalmente realizou seu sonho de lançar um automóvel 100% nacional: o BR-800, um minicarro projetado para ser o mais barato do país e que conseguiu custar cerca de 30% menos que os concorrentes.

 

Em 1991, a empresa bateu seu recorde de vendas, comercializando 3.746 carros. Mas começou a entrar em decadência com a abertura do mercado feita pelo governo Collor, que fez com que as montadoras estrangeiras pudessem vender no Brasil automóveis melhores e mais baratos que o BR-800. A partir daí, a produção foi caindo cada vez mais e a fábrica pediu concordata em 1993. 

Chegava ao fim a saga de João Gurgel, um empreendedor visionário, inovador e extremamente patriota (seus carros tinham nomes com origem indígena e os lançamentos costumavam ser nos dias 7 de setembro). Ao longo de 25 anos, foram mais de 40 mil automóveis fabricados e exportados para quase todos os países latino-americanos.

Gurgel morreu em 2009, aos 83 anos, após mais de uma década lutando contra o mal de Alzheimer. 

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