Terça, 20 de Outubro de 2020 11:33
61 99574-8903
Entretenimento História

A Caravana da Integração Nacional

Em 1960, veículos de fabricação nacional partiram dos quatro cantos do país rumo a Brasília para comemorar a inauguração da cidade

31/05/2020 10h00
Por: João Carlos Amador
A Caravana da Integração Nacional

Se atravessar o Brasil pelas estradas, hoje em dia, já é uma tarefa complicada, imagine fazer isso em 1960. Pois foi o que aconteceu naquele ano em uma incrível carreata para homenagear o surgimento da nova capital.

 

A ideia partiu de José Edson Perpétuo, um ajudante de ordens de Juscelino Kubitschek que pensou em um evento que concretizasse duas das principais metas do presidente: a expansão da malha rodoviária e a implantação da indústria automobilística no Brasil. Os empresários do setor aceitaram o desafio e se organizaram em colunas motorizadas com o objetivo de cortar o país e chegar ao Planalto Central para participar dos festejos de inauguração.

 

Foram quatro frentes de ação, uma em cada ponto cardeal. A coluna Sul partiu de Porto Alegre e percorreu 2,3 mil quilômetros, dos quais apenas 1,4 mil estavam asfaltados. A do Oeste saiu de Cuiabá e rodou 1,1 mil quilômetros até Brasília. A coluna Leste saiu do Rio de Janeiro para percorrer 1,2 mil quilômetros. E, por fim, a coluna Norte enfrentou o maior desafio em 2,2 mil quilômetros de uma rodovia Belém-Brasília ainda em construção. Como as dificuldades de locomoção já eram esperadas, não foram permitidos carros de passeio nessa coluna.

A caravana, de um modo geral, contou com todos os veículos fabricados na época em nosso país: Rural e Jeep Willys, DKW, Fusca, Romi-Isetta, Kombi, Simca Chambord, Toyota Land Cruiser, caminhões Mercedes, Chevrolet, International e FNM. Foram 137 automotores e 240 homens em comboios que eram festejados nas cidades do interior por onde passavam. Muitos jornalistas acompanharam a caravana para registrar os detalhes daquela aventura.

 

Após 10 dias de viagem, as quatro frentes da expedição se encontraram em Goiânia em 1º de fevereiro de 1960, rumando juntas para Brasília no dia seguinte. Chegando na capital, foram recebidos com festa pela população e com uma chuva de papel picado jogado por aviões da FAB que davam voos rasantes em comemoração àquele feito. O presidente JK também se juntou ao grupo e desfilou com eles pelo Eixo Monumental.

 

Aquele momento tão especial para Brasília e para o país ganhou um marco que está até hoje na Esplanada dos Ministérios: uma cruz com os quatro pontos cardeais simbolizando as rotas da Caravana da Integração Nacional.  

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.