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Mulheres na Boleia Tradição

Com descendência italiana, caminhoneira segue tradição familiar para desbravar as estradas do Brasil

O avô de Simone Venâncio começou a dirigir caminhão na década de 1940

11/07/2020 06h00 Atualizada há 4 meses
Por: Camila Pimentel
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Descendente de italiano, pois seu bisavô veio refugiado da Itália, neta e filha de caminhoneiro, Simone Venâncio nasceu embalada pelo som dos motores de caminhão. Seu avô tornou-se caminhoneiro na década de 1940. Então, é tradição familiar seguir o rumo pelas estradas do Brasil.

Moradora da cidade de Artur Nogueira-SP, mãe de dois filhos, Gabriel de 24 anos e Ana Luiza de 19 anos e casada há 26 anos com Marcos Venâncio, gerente da Transportadora Pujante, na cidade de Paulínia, Simone tem um espírito arrojado, desafiador e empreendedor.

Seguindo o caminho natural da sua vida, Simone iniciou na profissão dirigindo caminhão para o seu tio.

" Eu comecei com meu tio, ele me pagava como aprendiz, ficou um mês andando comigo na cabine, eu faturei mais que todos os caminhões que tinham aqui na região. Fiquei sete meses trabalhando para ele", disse a caminhoneira.

Logo no começo Simone sentiu que não seria fácil a vida nas estradas, principalmente quando se tratava de banheiro feminino limpo e higienizado. Mas, para isso a caminhoneira tinha uma estratégia "Antes de tomar banho higienizava. Levava sabão em pó e cloro", afirmou.

 As dificuldades não fizeram Simone desistir, e como tinha um dinheiro para investir em um negócio resolveu  comprar seu primeiro caminhão dando início a sua jornada de caminhoneira autônoma. "Falei para o meu marido que podia dar entrada que a gente pagava. E comprei um Iveco zero e uma carreta tanque. Com três anos coloquei motorista nele, mas o motorista deu perda total no Iveco que eu tinha", lembra a caminhoneira.

E, diante da crise econômica do Brasil, que começou até mesmo antes da pandemia do novo coronavírus, a caminhoneira passou por momentos financeiros delicados. No entanto, ela segue a batalha com fé e determinação. "As coisas foram ficando cada vez mais difíceis pela economia. E a economia vem se arrastando desde 2018, estou aguardando melhorar. Mas está difícil", destacou Simone.

Para seguir firme e forte na estrada, Simone conta com o apoio incondicional do marido Marcos Venâncio. "Meu marido é meus dois braços. Ele é pai e mãe e segura muita a barra", ressaltou.

Ainda se recuperando da perda da mãe, Simone hoje vive momentos de saudade. "Ela era tudo pra mim. A cor do caminhão que comprei foi em homenagem a cor dos olhos dela. Ainda lembro o dia que fui mostrar o caminhão a ela", relembrou.

Já o pai dela continua trabalhando como caminhoneiro. Ele tem 75 anos e é o espelho e a inspiração de Simone para ser uma profissional ética e que sonha com dias melhores. 

A caminhoneira lembra que a paixão por caminhão vem da infância." Eu sempre ajudei o meu pai a fazer manutenção no caminhão. Por isso, aprendi um pouco de mecânica e também a dirigir cedo", finalizou.

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