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A construção da Belém-Brasília

O surgimento de uma das rodovias mais importantes do país foi marcado pela coragem e pela tragédia

19/07/2020 09h00 Atualizada há 4 meses
Por: João Carlos Amador
A construção da Belém-Brasília

Ao assumir a presidência da República, Juscelino Kubitschek garantiu que cumpriria seu famoso Plano de Metas, do qual a meta-síntese seria a inauguração de Brasília. Mas também havia outros planos bastante audaciosos e inéditos para a época. Um deles era a integração nacional por meio de rodovias, objetivo que ficou marcado pela construção da Belém-Brasília.

 

Para se ter uma ideia da situação: em 1959, ano do início das obras da rodovia, o Pará vivia isolado do resto do país. Para chegar até o estado amazônico, somente por via aérea ou marítima. Os que se arriscavam em ir pela terra, tinham que partir do Maranhão e enfrentar uma difícil jornada pelo meio da mata.

 

A ideia de JK para ligar o Pará ao resto do país era simples: uma linha reta indo de Belém até Brasília, que ainda não estava inaugurada. E a nova capital, por sua vez, estaria ligada a todas as outras regiões brasileiras por meio de outras estradas. 

 

Para executar a missão, Juscelino chamou o engenheiro agrônomo Bernardo Sayão, figura muito respeitada que já estava com o presidente desde o início da construção de Brasília. “Precisamos arrombar a selva e unir o país de norte a sul”, dissera JK na ocasião.

 

E assim foi feito. Em 1958 as obras se iniciaram divididas em duas frentes simultâneas. Uma delas, comandada por Sayão, saiu de Brasília até Belém. A outra, guiada pelo médico sanitarista paraense Waldir Bouhid, foi de Belém até a futura capital. O objetivo era o encontro no meio do caminho para a conclusão da estrada. 

 

E os trabalhos seguiram em ritmo acelerado cortando a floresta e enfrentando índios, animais selvagens e doenças tropicais. No dia 15 de janeiro de 1959 apenas 50 quilômetros separavam as duas frentes do ponto de encontro, que seria comemorado com uma missa campal e um churrasco na selva com a presença de JK e seus ministros. Mas um terrível acidente aconteceu, estragando os planos. Por volta de 14h30, um enorme galho se desprendeu de uma árvore e caiu em cima da barraca onde estava Bernardo Sayão, atingindo-o em cheio. O helicóptero de resgate só chegou horas depois e o engenheiro morreu a bordo do veículo, aos 57 anos.

 

Em sua homenagem, a Belém-Brasília recebeu o nome de Rodovia Bernardo Sayão (BR 010), consolidando-se como um dos mais importantes marcos da integração nacional em todos os tempos.  

 

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