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A história da BR-163

Construída para integrar regiões inóspitas do Brasil, a rodovia foi fundamental para o desenvolvimento do Mato Grosso

16/08/2020 09h42 Atualizada há 2 meses
Por: Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

“Integrar para não entregar”. Esse era o lema do Plano de Integração Nacional (PIN),projeto lançado em 1970 pelo presidente Médici que tinha o objetivo de ocupar terras inabitadas na Região Amazônica e promover a integração entre as regiões Norte e Nordeste. Como parte do programa estava a abertura de uma rodovia ligando Cuiabá, no Mato Grosso, a Santarém, no Pará: a BR-163.

As obras começaram em 1971 sob o comando do coronel Antônio Paranhos, do BEC (Batalhão de Engenharia de Construção) do Rio Grande do Sul. Foram cinco anos de muito trabalho, enfrentando a mata fechada, a falta de comunicação, doenças tropicais e até a presença de indígenas que habitavam a região. As equipes de topografia, que partiam na frente para identificar o traçado da rodovia, chegavam a ficar 40 dias isolados na selva, recebendo alimentos jogados por avião.

Cerca de 1,5 mil homens trabalharam na construção, entre militares e civis. Parte vinha do Rio Grande do Sul e parte era mão de obra local. Oficialmente, o Exército registrou a morte de 32 pessoas durante a obra. Nenhuma por acidente de trabalho, todas por doenças como a malária. Para o contato com os indígenas que nunca tinham se aproximado do “homem branco”, como os Panará, por exemplo, foram convidados os irmãos Villas-Boas, antropólogos que exerceram papel fundamental para o bom andamento da missão.

A inauguração da BR-163 aconteceu no dia 20 de outubro 1976. O empreendimento foi fundamental o desenvolvimento de Mato Grosso, uma vez que a estrada é a principal responsável pelo escoamento da produção do estado até os portos nacionais. Além disso, vários municípios foram fundados ao longo da rodovia em consequência da construção, como Lucas do Rio Verde, Sinop, Peixoto de Azevedo, entre outros.

Mas, apesar de oficialmente pronta, a estrada não foi completamente pavimentava, o que gerou reclamações de seus usuários por décadas, principalmente por causa dos atoleiros que se formavam na época das chuvas. Em 2020, finalmente, o trecho que faltava foi asfaltado, em uma inauguração que contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas.

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