Sexta, 30 de Outubro de 2020 19:15
61 99574-8903
Mulheres na Boleia Superação

Kaka Carreteira tem uma história de superação ao ser curada de um câncer e retornar para as estradas

A caminhoneira tem quatros filhas, três netos e atualmente é caçambeira

05/09/2020 06h00 Atualizada há 4 semanas
Por: Camila Pimentel
Kaka Carreteira tem uma história de superação ao ser curada de um câncer e retornar para as estradas

Amor, superação, felicidade e dificuldade... Tudo isso fez e faz parte da vida da caminhoneira Kátia Regina dos Santos, mas que todos conhecem como Kaka Carreteira. Ela, que tem quase 27 anos na profissão, nasceu em Florianópolis-SC e hoje mora em Palhoça-SC, afirma com toda alegria e convicção que a paixão por caminhões começou desde a infância. Kaka concedeu entrevista ao Portal On Truck enquanto atravessava o Estado do Tocantins e com mais de 30 dias fora de casa.

A caminhoneira relatou o seu primeiro contato com um caminhão, foi quando teve a certeza que este era o seu mundo. “Conheci uma amiga que trabalhava com terraplanagem e ela carregava barro e areia. Um dia ela me deu a oportunidade de dirigir uma caçamba. Na hora despertei e vontade e disse logo é isso que quero para mim. Vou correr atrás”, garantiu

E Kaka correu atrás até que mudou-se para o Paraná e conheceu uma família de caminhoneiros. Foi mulher de caminhoneiro e ali começou a descobrir e fazer parte do universo do transporte brasileiro.

O início foi difícil, pois Kaka era enfermeira. “Não é fácil, pois não era da área. Fazia enfermagem, mas com um tempo consegui obter uma CNH categoria “E”, e não parei mais. A palavra desistir não existe no meu vocabulário”, afirmou.

Após ficar viúva, Kaka retorna para o sua cidade de origem, Florianópolis, e começa a trabalhar como motorista de ônibus. “Trabalhei por dois anos e não me adaptei”, disse a caminhoneira.

Mas, a vida estava preparando um caminho de vitórias para Kaka Carreteira e um dia ela deparou-se com uma placa da empresa Coopercarga, no município de Palhoça. “Vi uma placa precisa-se de motorista carreteiro e não dizia se era homem ou mulher, fui lá e fiz o teste, mas não me falaram o resultado, por isso, tive que ir pessoalmente até lá cobrar uma resposta e me falaram que a empresa não contratava mulher. Na hora exigi um posicionamento positivo ou negativo, mostrei que era necessário eles me darem uma satisfação, afinal eu tinha feito o teste. Até que 15 dias depois o RH me ligou e disse que ia me dá uma oportunidade”, destacou. 

Depois de 14 anos na empresa, Kaka se viu diante de mais um obstáculo na vida, descobriu um câncer e foi tratar a doença. “Descobri um câncer e pedi para sair da Coopercarga”, relembrou.

E quem disse que esta doença derrubou Kaka Carreteira? Ela arregaçou as mangas e foi lutar contra essa doença. O médico disse que ela só tinha 3% de chances de sair curada, e foi nesse pequeno percentual que Kaka se agarrou e seguiu em frente. “E aqui estou eu de volta nas estradas. E deixo o meu testemunho e quero incentivar outras mulheres que tiveram câncer a superar as dificuldades e voltar a ser feliz, voltar a trabalhar. Nada de tristeza, somos fortes, batalhadoras e guerreiras. Passei por muitas lutas, derrotas, mas venci. As pedras são colocadas no nosso caminho para serem tiradas e para gente seguir”, destacou.

Após superar todos os obstáculos, Kaka Carreteira se considera uma vitoriosa. Atualmente trabalha na empresa G7 Log. “Sou muito feliz e realizada na minha profissão. Com muito orgulho sou caçambeira e me sinto muito acolhida pela empresa. Somos cinco mulheres e temos o Comando Feminino G7 Log”, falou

A caminhoneira fala com muita alegria de duas companheiras de trabalho Elinéia Farias e Cristina Ribeiro. “Elas são minhas grandes amigas e tenho muito orgulho delas”, afirmou.

 

Ela também fala sobre os desafios da vida de caminhoneira. “Entrar no habitat masculino não é fácil, e por estarmos neste mundo tudo que você fazemos chama atenção. Temos que ser muito forte, humilde e companheira. Saber se colocar no ambiente e ser autêntica. Estou aqui para ganhar a pão para colocar na boca dos meus filhos e sempre passo isso para as mulheres que estão entrando nesta profissão de caminhoneira. Manter o profissionalismo é essencial”, ressaltou Kaka.

Além disso, Kaka citou ainda que a falta de ponto de apoio para mulheres nas estradas ainda é um grande problema. Não há banheiros femininos nas empresas e nos postos de combustíveis. E os que têm são precários.

Sobre a família, Kaka fala que é o seu porto seguro. “Tenho quatro filhos Kamylla com 33 anos, Karine tem 31 anos, Maria Karolyna com 25 anos e Nathalia tem 22 anos, três netos Yan, Lara e a Isis. E hoje tenho um ótimo companheiro ao meu lado. Amo os meus pais, meus dois irmãos e minha irmã”.

A caminhoneira gosta tanto do ronco dos motores que ainda faz parte de um moto clube em Florianópolis só de mulheres chamado, Divas da Ilha. “São mulheres inspiradoras, empoderadas, guerreiras e companheiras”.

 

E para finalizar, Kaka Carreteira também falou sobre sua paixão por animais. “Sou apaixonada por cães, gatos e cavalos, por animais. Por onde passo encontro um animal para cuidar”, ressaltou.

 

Siga o Portal On Truck nas redes sociais. Estamos no FacebookInstagram e Linkedin. Acompanhe também os nossos vídeos em nosso Canal no Youtube e receba as notícias diárias em nosso Grupo de WhatsApp.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.