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Entrevistas Inovação

Ana Carolina, presidente-executiva do Setcesp destaca-se por sua determinação e perseverança

À frente do maior sindicato patronal da América Latina, Ana Carolina mostra seu estilo inovador e moderno para o setor de transportes

31/10/2020 06h00 Atualizada há 4 semanas
Por: Camila Pimentel
Foto: Ana Carolina Ferreira Jarrouge
Foto: Ana Carolina Ferreira Jarrouge

Há um ano como presidente-executiva do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), Ana Carolina Ferreira Jarrouge destaca-se pelo seu estilo determinado e transparente. Ela tem realizado uma gestão moderna e inovadora dentro do setor de transportes de São Paulo. Em entrevista ao Portal On Truck, Ana Carolina fala sobre os desafios e a importância do sindicato para o crescimento e o desenvolvimento do setor de transporte de cargas no Brasil.

 

On Truck - O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp) foi fundado em 1936 e é considerado o maior sindicato patronal da América Latina. E diante deste título qual o papel do sindicato no setor de transportes do Brasil?

Ana Carolina - Entendo que nosso papel é de extrema relevância e responsabilidade, visto em nossa base territorial, estão localizadas a grande maioria das empresas de transportes rodoviário de cargas do país, seja através de sua sede principal ou mesmo com uma filial.

A região que representamos tem grande impacto em termos econômicos, deste modo, nossa atuação deve ser sempre muito proativa, especialmente na relação com órgãos municipais e com governo do Estado, no sentido de participarmos ativamente do planejamento com relação a mobilidade urbana, que inclui assuntos como restrições, estacionamentos, corredores e vias de acesso a metrópole, horários de locais de carga e descarga de mercadorias, etc., todos temas que impactam diretamente nas atividades diárias das transportadoras. Além disso, sempre atuamos de modo preventivo e corretivo em questões relacionadas a emissão de licenças para determinados tipos de transportes, questões tributárias, fiscais e uma atenção minuciosa nos projetos de lei que tramitam no legislativo que possam afetar de modo direto ou indireto o TRC. Ou seja, nosso papel é fundamental em termos de representatividade do TRC, porque São Paulo, seja município ou Estado, acaba sendo espelho de muitas mudanças e nossa atuação tem que fazer a diferença.

On Truck - É a primeira vez o que sindicato tem uma mulher na presidência-executiva? 

Ana Carolina - Na verdade o SETCESP nunca teve a figura de um Presidente-Executivo. Esta inovação foi introduzida no nosso Estatuto de agosto de 2019 pela gestão do Presidente Tayguara Helou e toda sua Diretoria, imbuídos na vontade e propósito de modernizar a gestão da entidade. E minha contratação, posso assegurar, foi totalmente baseada em competência, através de processo seletivo, que não fazia qualquer distinção de gênero. Mas óbvio que, por ser mulher a escolhida, somente reforça o quanto o SETCESP está a frente em termos de inovação e gestão, em se tratando de entidades sindicais, cujo tradicionalismo impera na sua grande maioria.

On Truck - Como mulher e à frente de um sindicato de um setor onde há mais homens que mulheres quais as ações para aumentar a participação feminina no segmento de transportes?

Ana Carolina - Acredito que o simples fato de ter um mulher nesta posição já dá claros sinais de mudanças ao setor, mas não satisfeitos com isso, resolvemos também lançar um movimento denominado VEZ e VOZ justamente para incentivar, apoiar e dar voz e espaço ao público feminino que já atua em nosso segmento, com intuito de torná-lo cada dia mais atrativo, inclusivo, respeitoso e favorável para que muitas mulheres possam ocupar os espaços que desejarem no TRC, desde as funções administrativas, onde elas já aparecem de forma expressiva, mas também nas funções de alta liderança, nos conselhos de administração e nos setores operacionais, notadamente como motorista profissional.

On Truck - Quais os desafios enfrentados pelo setor durante a pandemia do novo coronavírus?

Ana Carolina - Os desafios foram enormes, sentidos de forma diversa entre os diversos segmentos de transportes rodoviários. Cargas industriais sentiram mais no início e tiveram impacto expressivo em suas operações, fármaco, alimentício e e-commerce por exemplo sentiram menos e algumas empresas até aumentaram suas demandas. Fato é que, de um jeito ou de outro, todos sofreram desde problemas financeiros decorrente da baixa demanda por transporte, até problemas de locomoção, em razão de restrições totalmente sem padrão e com barreiras sanitárias, sem falar na falta de estrutura para os motoristas nas rodovias, com postos e restaurantes fechados. Ninguém saiu ileso da pandemia. Somado a isto, ainda tivemos desencontro de informações por parte dos 3 níveis governamentais, o que causou insegurança jurídica e problemas operacionais. Mas a pandemia também deixou boas lições às empresas, da necessidade da digitalização e da habilidade de se adaptar rapidamente às mudanças, e para isso é preciso preparo e capacitação diária e contínua, o famoso lifelonglearning.

On Truck - O mercado foi prejudicado? O setor já está voltando a sua normalidade?

Ana Carolina - Sem dúvida que o mercado foi prejudicado devido a falta de integração com relação ao fechamento do comércio, infelizmente questões políticas foram levadas ao extremo durante a pandemia e algumas decisões, a nosso ver, foram precipitadas e tomadas ao léu, prejudicando substancialmente a atividade econômica. O setor começou a ter sinais de recuperação em meados de agosto, com melhora no volume de cargas em decorrência das flexibilizações e abertura do comércio. A pandemia entretanto acelerou mudança no comportamento dos consumidores, que tiveram que aderir drasticamente e obrigatoriamente ao e-commerce, e esta tendência certamente perdurará, o que com certeza irá mudar ainda mais, daqui para frente a infraestrutura e a inteligência logística, impactando diretamente nos modelos de negócios de TRC.

On Truck - Qual será a marca que sua gestão à frente do Setcesp deixará como legado?

Ana Carolina - Ainda é muito cedo para falarmos em legado, porque estou a menos de 01 ano nesta função, mas uma coisa eu garanto, que minha passagem, seja pelo tempo que for, não será em vão. Tenho prazer em lidar com pessoas, descobrir talentos, formar equipes e dar oportunidades e me sinto completa como ser humano em ajudar e compartilhar, deste modo, tanto os colaboradores do SETCESP como os transportadores e nossos parceiros podem contar comigo para elevarmos o SETCESP a um outro patamar de representatividade e gestão, fazendo jus a sua brilhante história.

 

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