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Entrevistas Meio Ambiente

Sustentabilidade e transportes caminham juntos para fortalecer o setor, diz Gisele Batista, CEO da Harpia Green Busines

Gisele Batista assina a coluna

20/02/2021 09h00 Atualizada há 2 meses
Por: Camila Pimentel
Sustentabilidade e transportes caminham juntos para fortalecer o setor, diz Gisele Batista, CEO da Harpia Green Busines

Sustentabilidade é uma palavra que está em alta no mundo da economia moderna e o Portal On Truck entrevistou esta semana a Dra. Gisele Batista, que tem um currículo rico na área de sustentabilidade ambiental. Gisele Batista é graduada em Geografia (Bacharelado UFSC/2002 - Licenciatura em UDESC/2001), Tecnóloga em Agrimensura-Geomensura (IFSC-2008), tem Mestrado em Análise de Qualidade Ambiental (UFSC/2004) e é Doutora em Engenharia Civil (UFSC/2014), na área de concentração: Registo Técnico Multifuncional e Gestão Territorial, com especialização em Avaliação de Impacto Ambiental e Engenharia. Atualmente, Gisele é CEO da Harpia Green Business, da Brazilian Trade Company e diretora técnica da Solution Energia. Além disso, Gisele Batista assina a coluna “Sustentabilidade sobre Rodas”, no Portal On Truck. Confira a entrevista abaixo:

 

On Truck - Você começou a escrever recentemente no Portal On Truck a coluna “Sustentabilidade sobre Rodas”. Qual o objetivo deste espaço? Como chegou até o portal?

Gisele Batista - Cheguei até o Portal On Truck por trabalhar, há muitos anos, com projetos ambientais e de projetos de sustentabilidade onde, na minha trajetória profissional, me foi oportunizado licenciar aeroportos, rodovias, ferrovias, projetos de energia, mineração, regularização fundiária e novos loteamentos, etc.  Nesta experiência profissional, venho aplicando os meus conhecimentos técnicos e de formação acadêmica e ser convidada pelos gestores do Portal On Truck para escrever na Coluna “Sustentabilidade sobre Rodas” deixou-me bastante feliz, pois os temas da sustentabilidade é uma das minhas paixões. 

Escrever para o Portal On Truck tem sido muito satisfatório e poder contar com um espaço para discutirmos melhorias, sob o ponto de vista da sustentabilidade, é uma forma de contribuir, positivamente, para o desenvolvimento do setor e do Brasil, pois o Transporte Rodoviário de Cargas e Logística é muito representativo para a economia brasileira. Além disso, sabemos das dificuldades enfrentadas, diariamente, pelas empresas e profissionais do setor, seja pela qualidade da infraestrutura rodoviária – ou falta dela, seja pelos entraves burocráticos e preços dos combustíveis, como alguns exemplos.

 Escrever para o Portal On Truck tem sido gratificante e o principal objetivo desta coluna é apresentar, de forma clara e objetiva, estudos, pesquisas, projetos, notícias e casos reais de como a sustentabilidade tem dado certo e como poderemos replicar estas ações, para cuidarmos da vida do planeta.

 

On Truck - Você é geógrafa e doutora em Engenharia Civil com especialização em Avaliação de Impacto Ambiental e Engenharia de Projetos. Como avalia os impactos ambientais no setor de transportes brasileiro?

Gisele Batista - No Brasil, tivemos muitos avanços no setor, desde a introdução de Estudos de Avaliação de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para empreendimentos de infraestrutura, ainda na década de 1980, até legislações que regulamentam a qualidade ambiental das atividades dos modais de transportes do Brasil. Se voltarmos há algumas décadas, vamos registrar boas e valiosas conquistas, neste período.

Contudo, como ambientalista, creio que podemos fazer muito mais, seja pelo meio ambiente, seja por nós mesmos. É fato que precisamos de infraestrutura (estradas, portos, aeroportos, etc.) para exercermos nossas atividades e, tudo isso, causa impacto. A questão é como trataremos o tema: se vamos “encarar o problema de frente” e trabalharmos de forma conjunta, buscando soluções integradas e inteligentes ou, se vamos “ficar num jogo de empurra”, achando desculpas e apontando culpados.

A exemplo são os produtos de logística reversa, em especial aos produtos do setor de transporte rodoviários de cargas. Atualmente, cerca de 450 mil toneladas de pneus são descartadas no Brasil, sendo que boa parte é de forma inadequada, e poderia ser reutilizada através de sistema automatizado de monitoramento de logística reversa. Se pensarmos na sustentabilidade de forma inteligente, veremos que existe uma lacuna de oportunidades, de negócios e de pesquisas, no que tange à aplicação da inteligência artificial na logística reversa, e que poderiam gerar lucros para as empresas como reutilização de biocombustíveis, coleta, armazenagem e reciclagem de pneus, reuso de óleos lubrificantes e descarte de baterias automotivas, etc. Assim, ao gerenciar recursos e a cadeira de fornecedores, as empresas poderiam reduzir seus custos, incentivar a reciclagem e reutilizar matérias-primas como forma de diminuir a pressão sobre os recursos naturais.

 

On Truck - É possível ter sustentabilidade no setor de transportes?

Gisele Batista - É possível ter sustentabilidade em todos os setores, basta disciplinarmos nosso olhar ao tema. No Brasil, nós temos bons pesquisadores que têm produzido conhecimento técnico e científico de excelência que trata sobre a redução dos impactos ambientais nos diversos modais de transporte; temos órgãos ambientais que nos dão as diretrizes para mantermos e/ou alcançarmos os parâmetros aceitáveis de qualidade ambiental; temos legislação que dispõe de regulamentação sobre este tema; e temos desenvolvido inovação, tecnológica ou não, que nos ajudam a melhor os processos, a inventar produtos mais inteligentes e que demandam menos recursos naturais e estamos criando serviços que trazem experiências positivas a baixo custo, etc.

Penso que precisamos continuar trabalhando por melhorias e não nos acomodarmos com as vitórias alcançadas. Eu acredito muito no potencial humano e na sua inteligência (ou engenharia) de buscar soluções aos problemas causados pelo próprio gênero.

Neste sentido, a coluna “Sustentabilidade sobre Rodas” buscará informar seu público, as formas de aplicação da sustentabilidade, mas de maneira sistematizada, como um modelo de negócios a ser adotado pelo setor, para que possa vislumbrar na sustentabilidade uma possibilidade de reduzir os custos e aumentar a lucratividade, tornando-a uma estratégia para manter a perenidade das empresas e dos empregos.

 

On Truck – Como você avalia o tripé tecnologia, sustentabilidade e transporte?

Gisele Batista - Nós estamos vivendo num mundo novo, que os especialistas chamam de “era exponencial” ou “mundo turbo” ou “mundo 4.0”. Estes termos fazem parte do contexto da Quarta Revolução Industrial (4RI), resultado da inteligência artificial (IA) que cria tecnologias e inovações, em grande escala e velocidade acelerada. A 4RI está entre nós e será cada vez mais presente nas empresas e em nossas vidas, com a internet das coisas (IoT) moldando nossa maneira de ser, pensar, agir, produzir e consumir.

O setor de logística, por exemplo, apresenta avanços significativos por meio da inteligência artificial, pois existem sistemas que diminuem as falhas nas operações e trazem um aumento significativo da produtividade, proporcionam melhoria padronização dos processos e, com isso, redução considerável de gastos. A utilização de robótica nas operações será cada vez mais demandada e não será diferente com a sustentabilidade.

Aliás, o uso da inovação, trazendo soluções inteligentes aos três pilares da sustentabilidade (ambiental, social e econômico) é o que temos chamado Sustentabilidade 4.0, ou seja, tecnologias verdes – disruptivas – que criam produtos inteligentes, com maior durabilidade e/ou multiuso, e empregam menos insumos da natureza para serem produzidos. Somado a isso, a sustentabilidade tem trazido uma nova forma de comportamento para as pessoas. Com a mudança de cultura e expansão de uma consciência ambiental, a sociedade está atenta ao ciclo de vida de cada produto, numa visão de propósito/posicionamento das empresas em relação à sustentabilidade. Esses consumidores estão e serão cada vez mais exigentes.

Por isso, para ter o foco na “sustentabilidade do futuro” (ou sustentabilidade 4.0), é preciso levar em conta a tecnologia e a inovação, que poderá ter desdobramentos no design, processo, produtos e serviços do setor de transportes, tornando-os inteligentes e eficientes. Do ponto de vista do consumidor, a sustentabilidade pode trazer fidelização às empresas de transporte, pois os clientes são mais constantes às marcas movidas por propósitos, que contribuem positivamente com a sociedade e sejam ambientalmente responsáveis.

O futuro está se desenhando, muito rapidamente, na velocidade “turbo” e, para isso, empresas e empreendedores devem estar atentos a estas mudanças. O uso da inovação e da tecnologia deverá ser uma poderosa ferramenta de fazer negócios e gerir as empresas.

 

On Truck – A preservação do meio ambiente deve estar inserida no desenvolvimento e crescimento do setor de transportes?

Gisele Batista - Preservar o meio ambiente é questão de estratégia de sobrevivência, seja do ponto de vista pessoal, ou empresarial. Não poderemos minimizar os problemas ambientais ou ignorá-los, pois não temos mais espaço e nem tempo para esta conduta nociva à sustentabilidade.

Temos que usar a preservação de maneira inteligente e em favor da sociedade, promovendo o crescimento econômico e gerando emprego e renda, pois pensar em sustentabilidade é, também, assegurar que a sociedade esteja protegida e segura. Temos que trabalhar de forma conjunta e harmônica, elevando os três pilares da sustentabilidade (meio ambiente, economia e sociedade) buscando o desenvolvimento e crescimento do setor de transporte no país.

 

On Truck – Quais os projetos para melhorar a sustentabilidade do transporte no Brasil?

Gisele Batista - O setor de transporte é muito organizado e, há alguns anos, tem apresentado diversas pesquisas, programas e projetos que visam o desenvolvimento sustentável. São organizações civis, entidades públicas e empresas privadas que estão trabalhando em parceria para produzir, testar e implantar boas práticas de sustentabilidade no setor de transporte de cargas no Brasil.

Segundo um destes estudos produzidos pelo setor, destacam ações podem trazer melhorias ao processo de transporte de cargas, as quais envolvem desde a preocupação com as emissões de gases poluentes que intensificam o efeito estufa e provocam o aquecimento global, a utilização de fontes de energia mais limpas, veículos com maior eficiência energética e pneus de baixa resistência ao rolamento, até a implantação de sistemas de informação para rastreamento de frotas, modernização e manutenção dos veículos. Ainda, o eco- driving e cuidados e atenção com os motoristas e demais profissionais do setor são formas eficientes de se trabalhar com sustentabilidade no setor.

Como destacado, nós temos muitos estudos já realizados que, neste momento, precisam ser colocados em prática, seja pela obrigatoriedade da lei, seja pela visão estratégica de negócio do setor. A sustentabilidade precisa ser entendida como um ativo que trará desenvolvimento equilibrado ao setor, permitindo criação de valor e geração de empregos.

 

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