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Brincadeiras e exercícios físicos ajudam contra sequelas da covid-19

Pesquisa diz que 80% dos curados apresentam perda de memória; especialista diz que jogos de celulares e caminhadas resolvem

28/02/2021 03h50
Por: Redação Fonte: R7 - Carla Canteras, do R7
Exercícios aeróbicos estimulam as atividades cerebrais - (Foto: Folhapress - 10.10.2020)
Exercícios aeróbicos estimulam as atividades cerebrais - (Foto: Folhapress - 10.10.2020)

Uma pesquisa do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), em São Paulo, mostrou que oito em cada dez pessoas infectadas pelo novo coronavírus apresentam algum tipo de alteração de memória, capacidade de atenção e percepção do mundo, ou até mesmo da habilidade de pensar em um problema, buscar uma estratégia e resolvê-lo - essas são algumas das funções cognitivas do ser humano.

Mas, a boa notícia é que a solução dessas mudanças de comportamento não é difícil de se alcançar e, em poucos meses, os pacientes podem voltar a uma condição normal, conforme explica a neuropsicóloga Livia Stocco, coordenadora da pesquisa do Incor.

“Com a covid, os pacientes têm uma dessaturação de oxigênio, ficam muito cansados, com dificuldades de respiração. A diminuição de oxigênio chega ao cérebro e atinge o sistema nervoso central. Mas com tratamento de estímulo e exercícios cerebrais, os pacientes conseguem recuperação total ou parcial das funções cognitivas”, explica Livia.

O mundo ideal seria que os pacientes curados da covid-19 fossem acompanhados por um neuropsicólogo, mas o SUS (Sistema Único de Saúde) praticamente não tem esses profissionais e os convênios médicos também não dispõem dessa especialidade. Mas exercitar o cérebro está à disposição de todos.

“Pelo tratamento empírico, aquele que se baseia nas experiências do dia a dia, os pacientes podem brincar com jogos de memória, caça-palavras, quebra-cabeça ou esses joguinhos de celular mesmo, como o candy crush, que é possível baixar de graça. Todo mundo fala que vai viciar. Não vicia, pode brincar. Vai ajudar a estimular e exercitar o cérebro e com isso voltam as funções executivas das pessoas”, afirma a neuropsicóloga.

Além das brincadeiras de criança, Livia recomenda a boa e velha atividade física. Melhor ainda se a pessoa optar pelos exercícios aeróbicos, aqueles que usam o oxigênio como principal fonte para a produção de energia nos músculos. Os mais comuns são andar de bicicleta, correr, caminhar e nadar.

“Tem médico que não indica a volta rápida às atividades. Mas se a pessoa estiver recuperada, não apresentar cansaço ou dificuldade de respiração, não precisa se privar. É colocar uma máscara, respeitar o distanciamento e voltar à academia, hidroginástica, ioga. Sabemos que a pandemia prejudicou muitas famílias economicamente. Não frequenta academia, é colocar máscara, pegar o álcool gel e caminhar nas ruas do bairro. Vai ser ótimo para o corpo e para a cabeça”, incentiva Stocca.

A solução está disponível para todos. É pegar um celular e brincar sem precisar gastar dinheiro ou calçar um par de tênis nos pés e ir à luta. 

 

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