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Com reajustes a 30%, inquilinos buscam renegociação do aluguel

Secovi orienta proprietários a firmarem acordo se locador não causa problemas e paga em dia para evitar custos com imóvel

04/04/2021 08h40 Atualizada há 1 mês
Por: Redação Fonte: R7 - Márcia Rodrigues, do R7
Inquilinos e donos de imóveis tentam ajustar correção do valor do aluguel - (Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas)
Inquilinos e donos de imóveis tentam ajustar correção do valor do aluguel - (Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas)

O reajuste dos aluguéis residenciais e comerciais vem deixando muita gente em pânico. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), indicador usado por muitos contratos de locação, vem registrando várias altas consecutivas.

O índice registrou alta de 2,94% em março, de 8,26% no ano e de 31,1% em 12 meses, segundo a última divulgação da FGV (Fundação Getulio Vargas), na terça-feira (30).

O descolamento do indicador do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial dos brasileiros, vem gerando preocupação para inquilinos e proprietários de imóveis.

Enquanto o IGP-M acumula alta de 31,1%, a inflação projetada para o IPCA é de 4,81% ao ano. Esse é o maior percentual de reajuste dos últimos 18 anos. Em maio de 2003, o IGP-M foi de 31,53%.

Inquilinos buscam negociação

O servidor público Leandro Reis, por exemplo, levou um susto ao receber o boleto do aluguel de abril. Seu contrato faz aniversário neste mês e sofreu reajuste de 28%.

Reis ligou para a administradora do prédio para saber o motivo, soube sobre a alta do IGP-M e pediu uma negociação.

Dois dias depois, o informaram que a proprietária do imóvel concordou em aplicar um reajuste mais próximo do IPCA: 5,20%

Em outubro do ano passado, quando começaram as negociações na imobiliária, 20% locadores optaram por aplicar o IPCA no reajuste e 14% quiseram manter a correção pelo IGP-M.

Em março deste ano, os acordos firmados com o reajuste pelo IPCA subiram para 29% e os pelo IGP-M caíram para 8%.

Há, ainda, os locatários e locadores que optaram por um meio termo entre o IGP-M e IPCA. Outubro foram 38% e março 28%.

Ao propor os acordos, nós quisemos trazer um equilíbrio para a relação entre proprietários e inquilinos, e eles ficaram muito felizes por termos nos anteciparmos e oferecemos uma solução logo no início do problema.

Moira Toledo

Quanto aos novos contratos, Moira afirma que a imobiliária vem recomendando desde janeiro para que a correção seja feita pelo IPCA.

Comércio também negocia correção de contratos

Entre o final de 2020 e o início de 2021, Alario Navarro - Soluções por Acordo, empresa que atua na intermediação de negociações entre locatários e locadores, conseguiu renegociar 93% dos contratos de aluguel das lojas de uma rede varejista.

A companhia tem em torno de 1000 estabelecimentos em todo Brasil e conseguiu a redução do valor de locação em 20% das unidades, a manutenção de 79% e majoração somente em 1%.

Andrea Navarro, sócia da Alario Navarro – Soluções por Acordo, conta que desde novembro vem negociando cerca de 800 contratos de outros clientes.

Nós tentamos sempre trocar índice de correção e dar uma solução sustentável de contrato para o longo prazo. A maior parte a gente tenta alterar pelo IPCA que está mais perto da realidade da população brasileira.

Andrea Navarro

Se proprietário não aceita a substituição de forma alguma, Andrea afirma que propõe um teto de 6,4% no reajuste, mesmo que o IGP-M chegue 30%, como agora.

 

 

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