Domingo, 24 de Outubro de 2021
Mulheres na Boleia Mercado de Trabalho

Mulheres caminhoneiras são 0,5% nas estradas do Brasil, segundo a CNT

Caminhoneiras enfrentam a saudade da família, o machismo e também o assédio

11/09/2021 às 12h43 Atualizada em 23/09/2021 às 19h02
Por: Redação Fonte: Agência EBC
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Mulheres caminhoneiras são 0,5% nas estradas do Brasil, segundo a CNT

Hoje, diferente de tempos atrás as mulheres estão à frente de muitas profissões. Com grande carga de estereótipos, a profissão de caminhoneira, por exemplo, faz com que as profissionais carreguem, além de mercadorias no caminhão, o peso do machismo que enfrentam em cada canto do país.

 

Quantas caminhoneiras tem no Brasil?

As mulheres representam apenas 0,5% do total de caminhoneiros do Brasil, segundo estimativa da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Como são aproximadamente 2 milhões de motoristas na ativa, cerca de 10 mil profissionais estariam no ramo.

Em todo o país, entretanto, há quase 180 mil mulheres habilitadas para dirigir esse tipo de veículo. Então, o mercado pode se tornar maior.

 

Como é o cotidiano de uma caminhoneira?

Nedisandra da Silva, de 45 anos, moradora de Canoas (RS), é motorista de carreta. Há 22 anos, comanda o volante de Norte a Sul do país, sem rota fixa. Se formou em administração de empresas, estudando na cabine do caminhão, onde também fez pós-graduação na área e cursos complementares.

Nedisandra conta que a rotina é corrida e é difícil ficar longe da família por dias seguidos. Mas a paixão pela estrada falou mais alto e fez com que ela enfrentasse os desafios da profissão, principalmente sendo mulher. Para isso, precisa se impor, em muitas situações.

Fora isso, Nedisandra não esconde a vaidade pela aparência e o bem-estar do corpo. Ela relata que, sem tempo de fazer academia, leva acessórios para se exercitar na carreta mesmo e cuidar da coluna.

Um universo profissional ocupado em quase a totalidade, por homens, acaba revelando o machismo e as dificuldades relacionadas a assédios. Nedisandra se sente vulnerável nas estradas e nos contou ter sido vítima de um assalto e três tentativas.

Para ela, é impensável usar roupas mais decotadas, ou que mostrem mais o corpo. Isso porque avalia a mulher como alvo de “caça” dos homens, sobretudo nas estradas.

O assessor executivo da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, Marlon Maues, não vivencia essa realidade das mulheres, mas conhece muitas histórias. Segundo ele, a entidade que representa faz campanhas de conscientização contra o assédio sexual e reconhece que o setor ainda é desafiador para elas.

De acordo com o SEST, Serviço Social do Transporte, existem mais de 900 mil vínculos trabalhistas no setor de transporte, no Brasil, desse total, 120 mil são mulheres. As que atuam como motoristas, são pouco mais de 10 mil, incluindo os carros auxiliares das empresas, não somente caminhões e carretas.

A carreteira Nedisandra da Silva é apenas um exemplo do quanto o mundo ainda é desafiador para as mulheres. Apesar do amor pelo que faz, nossa “motorista sem rota fixa” pensa em deixar as estradas, somente no futuro, para se aventurar em concursos públicos.

 

A primeira caminhoneira do Brasil

Neiva Chaves Zelaya foi uma pioneira em diversos sentidos. Sergipana da cidade de Propriá, iniciou a vida de forma muito semelhante às mulheres de seu tempo. Casou-se aos 18 anos e teve quatro filhos. Mas ficou viúva muito cedo, com apenas quatro anos de casada, tendo que buscar sozinha o sustento da família a partir de então. Era o ano de 1957 e Neiva morava em Ceres, Goiás.

Confira (Aqui) a história da dona Neiva, na coluna História na Estrada do jornalista João Carlos Amador

 

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 Texto: Agência Brasil

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