Quinta, 02 de Dezembro de 2021
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Produtos perigosos nas estradas: segurança e responsabilidades

Associação adverte sobre os riscos que esse tipo de carga tem na vida dos humanos, dos animais e do meio ambiente

04/11/2021 às 16h03
Por: Redação Fonte: ABTLP
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Produtos perigosos nas estradas: segurança e responsabilidades

Segundo levantamento realizado pela Comissão de Estudos e Prevenção de Acidentes no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos no Estado de São Paulo, os veículos que  transportam líquidos inflamáveis são os que mais se envolveram em acidentes nas estradas,  em 2020. Os dados foram calculados com base nas informações fornecidas pela Agência de  Transportes (ARTESP), pela Companhia Ambiental (CETESB), pelo Comando do Policiamento  Rodoviário (CPRV) e pela Pro-Química, todos localizados no estado de São Paulo. 

 

De acordo com a pesquisa, das 939 ocorrências (acidentes e incidentes) registradas nas  rodovias paulistas, 23% foram com Etanol (ONU 1170); 16%, com Óleo Diesel (ONU 1202); e  8%, com Gasolina (ONU 1203 e ONU 3475). A Rodovia Governador Mário Covas (Rodoanel - SP021) é o local com o maior número de incidentes (15,7%), seguido da Rodovia Castelo  Branco (SP280), com 14,4%. 

 

As cargas perigosas são produtos que podem causar danos, ou apresentar riscos à saúde dos  humanos, dos animais (terrestres ou aquáticos) e do meio ambiente. A Associação Nacional  dos Transportes Terrestres (ANTT), através do Regulamento da Agência Nacional de  Transporte Terrestre (RNTRC) classifica-os em nove classes: os explosivos, os gases, líquidos  e sólidos inflamáveis, as substâncias oxidantes ou tóxicas, os peróxidos orgânicos, os  materiais radioativos e os compostos corrosivos. 

 

Segundo o secretário executivo da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos, Eduardo Leal, a responsabilidade pela segurança das cargas perigosas é  compartilhada entre a indústria, as transportadoras, os pontos de venda ou de distribuição e  o caminhoneiro profissional – que precisa estar treinado e atualizado a respeito das  regulamentações mais atuais. Para auxiliá-los, a Associação criou, no início da pandemia, a  Comissão Especial de Atualização dos Requisitos Legais no Transporte de Produtos Perigosos.  

 

Nela, ocorrem reuniões semanais a respeito dos principais assuntos no setor para os  associados e os demais interessados. Outro recurso utilizado pela ABTLP são as lives, gravadas  e postadas no canal da Associação no Youtube, com palestras sobre temas variados, como o  uso das tecnologias para a prevenção de acidentes na estrada, as alterações no Código de  Trânsito Brasileiro (CTB), os incidentes com tombamentos, a amarração da carga e os  equipamentos de segurança utilizados no transporte de cargas perigosas. 

 

A assessora técnica da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos  (ABTLP), Maria dos Anjos, que também é secretária administrativa executiva Comissão de  Estudos, participou do curso Visão Zero, trazido ao Brasil pelo trabalho do coordenador da  Comissão de Estudos, coronel Gilberto Tardochi.  

 

O curso é uma forma de compreender e desenvolver um sistema seguro de mobilidade, partindo da premissa que nenhuma morte ou ferimento é aceitável; e a vida humana,  prioridade. Dessa forma, uma verdadeira mudança de paradigma no meio corporativo, cujo  objetivo deixa de ser o saldo “positivo” no final do dia.  

 

Contudo, mesmo que empresários se conscientizem, a possibilidade de acidente sempre  existe. Em um cenário de acidente as consequências podem atingir as esferas administrativa  e criminal, e, dependendo do caso, tanto o transportador quanto o expedidor da carga serão penalizados. Portanto, a presença do transportador no local para fornecer o suporte humano  e material, assim que o evento acontecer, é essencial.  

 

Segundo a diretora administrativa da Zorzin Logística e integrante da ABTLP, Gislaine Zorzin,  “outra coisa enfatizamos nos debates e nas palestras na associação é o não incentivo à  jornada noturna, porque o sono leva à perda da tomada de decisões racionais. O que mais  tem nos ajudado a prevenir esses erros é a introdução das tecnologias para fiscalização dos  períodos de atuação do motorista e o cumprimento dos horários de alimentação e de  descanso. As câmeras de vigilância, os sistemas de telemetria, o de roteirização e os  aplicativos de controle de frota e de criação de mapas inteligentes são muito úteis nesse  sentido”. 

 

Parte da implementação dos softwares envolve o treinamento com os colaboradores e os  motoristas a respeito do uso correto dessas plataformas. “Muitos dos caminhoneiros  profissionais que trabalham conosco confirmam a praticidade do digital. Porém, estruturar  um programa de orientações envolve a internalização dos conceitos principais por meio de palestras que abranjam todos os fatores envolvidos na preservação do colaborador e do  produto que transportamos”, complementa Gislaine. 

 

O exemplo da Zorzin mostra que o tema vai além do que se tem como ideia quando o assunto  é o papel das transportadoras na redução de acidentes no transporte de produtos perigosos.  No início deste mês, a empresa realizou, entre os dias 4 e 7 de outubro, a Semana Interna de  Prevenção de Acidentes no Trabalho (SIPAT), que trabalhou temas como a dependência de  produtos químicos, os cuidados com a coluna, a realização periódica de exames de sangue e  de glicemia, a saúde mental, entre outros. 

 

A ABTLP possui 23 anos de atuação no segmento de produtos perigosos e sempre conscientiza  seus associados para que ocorram menos incidentes nesse segmento do transporte de cargas. “Realizamos esses cuidados prévios, por meio de publicações nas redes sociais, de  treinamentos in company (dentro das empresas), de envio de informativos pelo site da Associação, do disparo de circulares por e-mail, de mensagens via WhatsApp. Em geral, de tudo que facilite a chegada da informação para as transportadoras”, finaliza Leal. 

 

 

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