Quarta, 25 de Maio de 2022
Política Paralização

Bloqueio de caminhoneiros no Canadá inspira grupos antivacina em países como EUA e Nova Zelândia

Atos antivacina e contrários a medidas anti-Covid repercutem nas redes sociais e influenciam mobilizações para além das fronteiras canadenses

09/02/2022 às 11h30
Por: Redação Fonte: o Globo
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Foto: Reprodução Internet
Foto: Reprodução Internet

Inspiradas por manifestações no Canadá, centenas de pessoas na Nova Zelândia usaram caminhões e outros veículos para bloquear nesta terça-feira ruas no entorno do Parlamento do país em protesto contra a obrigatoriedade da vacina e as restrições por causa da pandemia. Batizada de "Comboio da liberdade" —mesmo nome da mobilização no Canadá—, a demonstração na capital neozelandesa, Wellington, ilustra o apoio que os atos no país da América do Norte vêm recebendo de grupos antivacina e de extrema direita em vários países.

 

A Austrália também teve protestos inspirados no Canadá, que incluíram um "Comboio a Camberra", a capital australiana. Além de pessoas contrárias à obrigatoriedade da vacina, havia também membros de grupos religiosos e cidadãos que diziam não estar sujeitos a lei nenhuma, descrevendo-se como “soberanos”.

 

Nos EUA, centenas empunharam em Nova York uma grande bandeira canadense ao se manifestar na segunda-feira contra a demissão, a partir da próxima sexta-feira, de empregados municipais que rejeitarem se vacinar contra a Covid-19. No domingo, centenas de caminhoneiros protestaram no Alasca contra a vacinação obrigatória e em apoio a seus colegas canadenses. Além disso, caminhoneiros de outros estados planejam lançar seu próprio comboio, da Califórnia à capital Washington, segundo Brian Brase, um dos organizadores da ação, enquanto grupos antivacina também se articulam nacionalmente, pedindo a adoção de táticas similares às dos canadenses.

 

Trudeau dissera anteriormente que o movimento representava uma "pequena minoria marginal" e que o governo não seria intimidado. Cerca de 90% dos caminhoneiros que trabalham cruzando a fronteira e quase 80% da população canadense já tomaram as duas doses da vacina contra o coronavírus.

 

O apelo do premier canadense foi feito após os caminhoneiros terem interrompido o acesso a passagens críticas da fronteira, incluindo a Ambassador Bridge, importante ponte para circulação de mercadorias entre o Canadá e os EUA ao conectar Windsor, em Ontário (Canadá), com a americana Detroit.

 

O Canadá envia 75% de suas exportações para os EUA, e cerca de 8 mil caminhoneiros trafegam diariamente pela ponte, que continua bloqueada nesta terça-feira. No domingo, o prefeito de Ottawa já havia declarado situação de emergência.

 

Apoio de Trump

Os atos, que foram elogiados pelo CEO da Tesla, Elon Musk, receberam o apoio de autoridades conservadoras dos EUA, como o senador pelo Texas, o republicano Ted Cruz, que qualifica os manifestantes de "heróis" e "patriotas". Já o ex-presidente Donald Trump classificou Trudeau de “lunático de extrema esquerda” e disse que “mandatos insanos de Covid” estão destruindo o Canadá.

 

"O Comboio da Liberdade poderia vir a Washington com caminhoneiros americanos para protestar contra a política ridícula de Joe Biden sobre a Covid-19", afirmou Trump em um comunicado.

 

O ministro da Segurança Pública canadense, Marco Mendicino, citou uma "potencial interferência estrangeira" ao reagir às declarações de Trump e dos outros americanos:

— Somos canadenses. Temos nosso próprio conjunto de leis. Nós as seguiremos.

 

Alguns congressistas republicanos prometeram investigar o site GoFundMe após ele derrubar uma página de doações aos caminhoneiros canadenses que já somava quase US$ 10 milhões —e que havia liberado US$ 789 mil até seu fechamento. Depois disso, as doações se concentraram em outras plataformas, como a GiveSendGo, um site cristão de crowdfunding que arrecadou mais de US$ 5 milhões na noite de segunda-feira.

 

Fotos dos caminhoneiros canadenses apareceram em grupos antivacina no Facebook e em outras redes sociais há cerca de duas semanas, sendo disseminadas rapidamente, assim como a hashtag usada pelos caminhoneiros: #FreedomConvoy (Comboio da liberdade). No Facebook, foi compartilhada mais de 1,2 milhão de vezes desde 24 de janeiro, de acordo com a ferramenta de análise CrowdTangle. Na mesma rede social, outro grupo dedicado a apoiar os caminhoneiros atraiu quase 700 mil seguidores.

 

Caminhões e outros veículos parados em ruas no entorno do Parlamento da Nova Zelândia durante protesto contra as medidas sanitárias de combate à Covid Foto: Marty Melvilla / AFP

 

Na França, uma página também chamada de "Comboio da liberdade", e seguida por mais de 275 mil pessoas, pede que os opositores das medidas sanitárias impostas pelo governo se reúnam no próximo domingo em Paris. Rémi Monde, um dos organizadores do comboio francês, qualifica o movimento canadense de "muito inspirador". Outros grupos nas redes sociais também convocaram manifestações em Bruxelas, na Bélgica.

 

 

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